quinta-feira, 21 de abril de 2016

O RISCO À MIGRAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA DOS BAGRES AMAZÔNICOS



Estudo realizado em parceria entre pesquisadores franceses, brasileiros, peruanos e bolivianos, comprovam a migração transamazônica e homing natal da dourada Brachyplatystoma rousseauxii - grande bagre migrador amazônico - e os possíveis efeitos das barragens sobre o grupo.

Matéria publicada na nature

FONTE: http://www.nature.com/nature/journal/v532/n7598/full/532150c.html

 
 Os autores avaliaram a correlação da razão isotópica de estrôncio (87/86) entre os otólitos da dourada e das diferentes rochas e rios que compõem a bacia amazônica. Observaram que os peixes podem migrar mais de 8000 km entre suas zonas de nascimento no alto Madeira e o estuário no baixo Amazonas, somado ao seu retorno como adulto às mesmas zonas onde nasceram dentro do rio Madeira. 
Os resultados salientam a necessidade de preservação da conectividade nas partes ainda não barradas das porções médias e baixas dos rios amazônicos, conjuntamente com uma melhoria dos sistemas de transposição das usinas do Madeira para assegurar os movimentos ascendentes e descendentes dos peixes migratórios,  da dourada em particular. Além, de salientam a necessidade de uma coordenação integrada da gestão de políticas pesqueiras, entre os países que compartilham esses recursos na bacia amazônica. 
                                                    
                                                      Autores da pesquisa: Marilia Hauser, Carolina Doria & Fabrice Duponchelle.

 
Foto: Suelen Brasil - Dourada capturada por pescadores de São Sebastião (2011)


 

 

FONTE:

J. Appl. Ecol. http://doi.org/bd45 (2016) 

Saiba um pouco mais:  

Os otólitos estruturas formadas pela acumulação de carbonato de cálcio no ouvido interno dos vertebrados e que têm a função de controlar a posição do corpo do animal, ou seja, manter do animal. A pesquisa acima mostra um dos usos mais comuns dos otólitos nas pesquisas sobre migração e determinação de locais de nascimento dos peixes, o que pode ser determinado pela composição química dessa estrutura.

Por que alguns peixes migram? Os peixes que migram são chamados PEIXES REOFÍLICOS, são peixes que migram para reprodução. Quando alcançam o período reprodutivo, estes peixes precisam nadar contra a correnteza em uma corrida contra a corrente até as cabeceiras dos rios, para se reproduzirem. Isso acontece por que ao realizar este esforço os peixes gastam energia e a queima de gordura acumulada no corpo. A queima dessa gordura estimula a glândula hipófise, que se localiza na base do cérebro dos peixes, induzindo a produção de hormônios responsáveis pela reprodução.   




sexta-feira, 15 de abril de 2016

Peixes do nosso RIO MADEIRA



PEIXES DO NOSSO RIO MADEIRA!


O rio Madeira é classificado como rio de águas brancas, devido ao fato de carregar em suas águas grande quantidade de material em suspensão de origem andina (Todo esse sedimento vem na água desde a Cordilheira dos Andes). Este rio apresenta curso relativamente linear e duas paisagens bem marcantes: área de corredeiras, entre Guajará-Mirim e Porto Velho, e área de planície de inundação, abaixo de Porto Velho.
A cachoeira de Teotônio era a principal barreira natural para a distribuição das espécies de peixes do rio Madeira. Ainda, representava um divisor geomorfológico e hidrológico. Na região acima (montante) de Teotônio, o rio Madeira foi caracterizado pela sequência de 18 corredeiras, com tributários profundos e barrancos de até 30 metros de altura. Por outro lado, na porção abaixo (jusante) de Teotônio, o rio torna-se mais largo e menos encaixado, passando a apresentar áreas típicas de planície de inundação, embora esta seja mais acentuada na região do baixo Madeira, onde há formação de grandes lagos, como o Puruzinho e Cuniã.

Cachoeira de Teotônio - Porto Velho/Rondônia (2011)
 
Lago do Cuniã - Porto Velho/Rondônia (2011)

Na área de planície, em decorrência da maior produtividade primária (produção dos organismos fotossinterizantes) e acúmulo de nutrientes, existe um grupo de peixes que se destaca por ser bem adaptado a este habitat: os detritívoros - nossas populares branquinhas, curimatãs e jaraquis. Detritívoros compõem um conjunto de animais que se alimenta de detritos, que consiste em material em decomposição, algas, fungos e protozoários. Os detritos constituem a base da cadeia alimentar e a principal fonte de energia em ecossistemas aquáticos, devido ao seu constante processamento. Apesar dos peixes detritívoros não apresentarem alto valor comercial, são de grande importância na ciclagem de nutrientes e para a pesca (comercial, subsistência e esportiva) na região, pois servem de alimento para espécies topo de cadeia, como dourada e outros grandes bagres.

 
Peixes do Rio Madeira - Detritívoros - Importantes para a ciclagem de nutrientes e servem de alimentos para os grandes peixes predadores.

Peixes do Rio Madeira - Dourada - Predadora, encontra-se no topo da cadeia alimentar.


Autores:
Carolina Dória, bióloga, Dra - Professora do Departamento de Biologia/UNIR
Taís Melo, bióloga, MSc – Laboratório de Ictiologia e Pesca/UNIR
Gean Carla S. Sganderla, bióloga, MSc - Professora do Departamento de Biologia/UNIR